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7 passos para o Santos FC se engajar com seus torcedores

Mesmo sendo considerada a 8ª maior torcida do Brasil, o Santos Futebol Clube terminou o Campeonato Brasileiro de 2017 na 14ª colocação em termos de média de público pagante. A cada partida do alvinegro praiano como mandante na Série A, 11.597 pessoas pagavam ingresso. Esse índice deixou o Santos atrás de Atlético-PR e Coritiba, clubes que têm menos torcedores, e até mesmo do registrado em outras divisões, por Internacional-RS (Série B), Ceará (Série B) e Fortaleza (Série C).

O resultado de 2017 foi semelhante ao de 2016 (11.225 pagantes). Se a média de público do Santos FC desses dois anos pareceu ruim, deve-se ressaltar que o desempenho do clube dentro de campo, obtendo a terceira e a segunda posições, amenizou o quadro das temporadas anteriores. Em 2015 e 2014, a média de público do Santos FC ficou na “zona de rebaixamento” da Série A, na 17ª colocação com 8.691 e 9.407 torcedores, respectivamente.

Em 2018, a nova diretoria do Santos anunciou que mandaria mais jogos no estádio do Pacaembu. Nas 17 primeiras partidas, até a parada para a Copa do Mundo, a média de torcedores pagantes é de 9.745 pessoas. A média de ocupação dos estádios em que o Santos é mandante tem sido de apenas 41% na temporada. Ou seja, o simples aumento do número de jogos em São Paulo não é suficiente para que o Santos melhore esses números.

É urgente, assim, que o Santos FC busque um maior engajamento com sócios e torcedores, implementando uma política do FÃ EM PRIMEIRO LUGAR.

1) O primeiro passo a ser dado deveria ser a realização de uma ampla pesquisa para a identificação do perfil do associado. Assim, o clube conseguiria identificar os diferentes perfis de associado: há aqueles que querem ir a todos os jogos, os que têm mais dinheiro mas só vão em partidas decisivas, os que moram longe e só querem um outro benefício, etc.

Mesmo sem o resultado dessa futura pesquisa, é possível traçar outras seis ações básicas a serem desenvolvidas pelo clube para aumentar a sua média de público e o engajamento com o torcedor em geral.

2) Segmentação do estádio

Todos os clubes têm diferentes perfis de torcedores. Tal fato precisa ser levado em conta quando o clube planeja a venda de ingressos. É fundamental a criação de espaços diferentes para tipos distintos de torcedores. O pai que leva a família ao estádio, por exemplo, prefere assistir ao jogo com outras famílias do que com torcedores organizados que ficam em pé durante os 90 minutos.

A separação dos torcedores por segmentos do estádio faz que o fã se sinta mais acolhido, já que vê aceitação na sua maneira de se relacionar com o clube. E, assim, melhora a sensação do torcedor quando vai ao estádio, incentivando-o a voltar.

3) Forum de torcedores

A formação de um fórum de torcedores é uma medida muito adotada por clubes europeus. A ideia é discutir assuntos de relevância como preço de ingressos, ações para dias de jogos, melhorias no programa de sócios, etc. Vale destacar que essa instituição não retiraria as funções de qualquer outro órgão do organograma do clube.

No caso do Santos FC, a sugestão é criar um grupo de 12 pessoas, escolhidas por meio de votação pela internet. Com isso, o torcedor tende a se sentir mais próximo do clube. A eleição deve ser feita de maneira que diversos perfis de torcedores estejam contemplados no fórum: representantes de embaixadas, organizadas, cadeiras cativas, Conselho Deliberativo, sócios mais assíduos, mulheres, famílias, deficientes físicos, entre outros. Tal medida deixaria o clube mais dinâmico e propiciaria maior diálogo com a comunidade alvinegra.

4) Participação de ex-jogadores do clube

Dono de uma história repleta de ídolos, o Santos precisa se relacionar melhor com os ex-atletas que atuaram no clube. Nos dias de jogos, a presença de um ex-atleta para dar autógrafos e relembrar jogos do passado pode ajudar a atrair torcedores antes das partidas. Esse tipo de evento melhora a experiência que o santista terá nos estádios, fazendo-o retornar em outras ocasiões independentemente do resultado dentro de campo.

Outra maneira de utilizar os ex-jogadores é em partidas de máster, como ocorreu no dia 29 de abril de 2018, em um jogo com a participação de sócios do clube. Tais partidas, que também podem ocorrer contra ex-atletas de outras equipes, deveriam ser usadas para a coleta de alimentos, por exemplo, a serem distribuídos em comunidades perto da sede do Santos, melhorando o engajamento com torcedores.

5) Ações na comunidade santista

O engajamento do torcedor com o Santos FC não pode depender exclusivamente dos dias de jogos. Uma iniciativa realizada por todos os clubes da primeira divisão da Inglaterra é promover ações nas vizinhanças das sedes do clube. Esse tipo de ação poderia ser muito bem explorada pelo Santos FC, ajudando até mesmo a diminuir a resistência de moradores de Santos no fato do clube mandar jogos em São Paulo.

Uma sugestão inicial poderia ser uma parceria com a Prefeitura para uso das instalações do clube em horários de folga de atletas. Os equipamentos modernos do Santos FC poderiam ajudar na fisioterapia de deficientes físicos que têm dificuldades para acessar esse serviço de forma gratuita na cidade. Ainda que feito em pequena escala, esse tipo de atitude melhora não apenas a acolhida do clube na cidade, como também aumenta o sentimento de “orgulho que nem todos podem ter”.

6) Season Ticket – Ingresso para um conjunto de jogos

Os maiores clubes do mundo têm os “season tickets” como uma das suas principais fontes de renda e ações para engajamento com o torcedor. No começo da temporada, o fã tem a opção de reservar ingresso para todos os jogos do seu clube como mandante, ganhando descontos e outros tipos de recompensa. No Brasil, criou-se o mito de que o torcedor não gosta de se planejar com antecedência e essa ação jamais foi implementada de maneira séria.

O fato de o Santos FC mandar jogos em duas praças diferentes, Vila Belmiro e Pacaembu, pode ser aproveitado como um fator positivo para lançar essa iniciativa. Isso porque o Santos FC poderia lançar uma experiência-piloto para o Campeonato Brasileiro, com pacotes de jogos separados para a Vila Belmiro e o Pacaembu. Dessa maneira, o Santos avaliaria os impactos dessa ação, acostumando o torcedor a esse tipo de iniciativa praticada em todo o mundo. Tal experiência também seria benéfica para atender a uma demanda antiga do torcedor santista que mora em São Paulo: a de saber com antecedência quando o Santos FC jogará na capital paulista.

7) Crianças no estádio

O público alvo do Santos FC para o aumento imediato da sua média de torcedores deve ser crianças entre 7 e 10 anos. O foco nesta faixa etária representa ganhos para o clube em curto e longo prazo.

No curto prazo, a presença de crianças significa o aumento do público em geral, uma vez que cada criança leva ao menos um adulto com ela. E como fazer isso?O Santos FC deveria fazer uma campanha nas escolas da Baixada Santista, convidando crianças para entrar em campo com jogadores e mascotes (Baleinha e Baleião), além de balançar bandeiras antes do início das partidas. Realizada em outros clubes pelo mundo, esse tipo de ação costuma levar cerca de 3 a 4 torcedores a mais ao estádio por criança. Isso porque o protagonismo das crianças, estando dentro de campo, fará com que muitos familiares queiram ir ao estádio para vivenciar esse momento, tirar fotos, etc.

Para cada jogo, o Santos FC deveria focar em escolas diferentes, atingindo um maior número de crianças e fazendo com que essa experiência seja única, algo realmente especial, e não uma rotina que beneficia sempre as mesmas pessoas. Esse tipo de experiência fatalmente fará com que as crianças queiram ir outras vezes ao estádio, mesmo que não entrem em campo, contribuindo para o aumento da média de público na Vila Belmiro. Vale ressaltar que esta iniciativa também poderia ser aplicada em jogos do Santos em São Paulo e até mesmo em outras praças, como no interior de São Paulo e o Grande ABC.

Dado o fato de que as crianças costumam escolher o seu time de coração entre 7 e 10 anos, tal ação também teria impacto no longo prazo. É incontestável a necessidade de o Santos FC aumentar a sua torcida nas camadas mais jovens da sociedade e essa iniciativa seria um primeiro passo nesta direção.

(*) Conselheiro eleito para o triênio 2018-2020, Vitor Loureiro Sion tem MBA em Indústria do Futebol pela Universidade de Liverpool.

 

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