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Conselho Deliberativo rejeita contas de 2018 do Santos FC

O Conselho Deliberativo do Santos FC rejeitou na noite desta segunda-feira (15/04) as demonstrações financeiras do exercício 2018, o primeiro da gestão José Carlos Peres. A decisão se deu por ampla maioria, contando com 1 voto contrário e 5 abstenções.

Antes de analisar o desempenho da gestão, gostaria de ponderar sobre o transcorrer da reunião que, a meu ver, teve momentos do mais baixo nível, com gritos, interrupções de oradores e falta de respeito inclusive com pessoas mais velhas. Achei que o presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Teixeira, agiu certo em permitir que um representante de Peres fizesse a defesa das contas. Porém, diante da alegação de alguns conselheiros e pela gritaria do plenário, isso não foi permitido, tendo ao final o presidente Peres entregue a defesa para juntada na ata, declinando da fala. Minha opinião pessoal: acho que essa decisão joga contra o próprio Conselho do Santos FC.

Tive a oportunidade de me expressar no púlpito e fiz questão de falar que todo conselheiro tem que fugir do chamado “olhar de Cerveró”. Essa expressão é usada quando, para um mesmo fato ou fatos similares, damos interpretações diferentes. Em resumo, se o cara é meu amigo, eu vejo de um jeito e se o cara é meu inimigo político, vejo de outra maneira.

Na reunião, havia muita gente inflamada olhando a análise da gestão com os tais “olhos do Cerveró”. Isso é ruim para a imagem do Conselho, porque fortalece o discurso de que o órgão é, por demais, politizado.

Eu dei o seguinte exemplo. Em 2016, a gestão Modesto teve suas contas aprovadas, apesar de desempenho pífio nas receitas e aumentos nas despesas. Vivemos da venda de Gabriel e do dinheiro do novo contrato com o Esporte Interativo. Teve ainda o escândalo de vendermos 1 ano de camisas sem termos contrato. Muitos viram, mas não enxergaram, e as contas foram aprovadas. Pagamos por isso até hoje.

Agora as contas de 2018 seguem o mesmo padrão. Tivemos desempenho pífio novamente nas receitas. As receitas de Licenciamentos, TV, PPV e Patrocínios praticamente empataram com as de 2017, que foi extremamente ruim. Nos quesitos receitas de Jogos e Franquias, 2018 conseguiu ser pior que 2017. Se um clube não consegue arrecadar, ele deve cortar seus gastos ou a conta não fecha. Pelo contrário, as despesas cresceram gerando um desequilíbrio. O nosso clube foi muito mal em 2018, não há como negar.

Ah, Scandiuzzi, mas pegamos o clube com inúmeras dívidas... É verdade, mas todos sabíamos das dívidas. A gestão deveria ser mais austera ainda sabedora disso. Não foi.

Aí entra o mesmo argumento usado em 2016, de que, com a venda do Rodrygo, as contas se equilibrariam, assim como se equilibraram com a venda de Gabriel e o dinheiro da EI.

Um balanço positivo não é, obrigatoriamente, sinal de boa gestão. O exemplo é simples. Eu vendo todos os atletas do time profissional e uso o dinheiro para fazer festas e contratar amigos. Uma parte desse dinheiro uso para fechar as contas no azul. No final do ano eu tenho um balanço positivo e um clube sem time para entrar em campo. É uma boa ou má gestão? Óbvio que é uma péssima gestão, mas com o balanço contábil no azul.

Isto posto, cabe aos conselheiros isentos dos “olhares de cerveró” analisarem não só os números, mas também os atos de gestão, como nos impõe o Profut e o nosso estatuto.

Infelizmente a gestão 2018 foi muito ruim. Não fico feliz dizendo isso. Não temos até hoje um Planejamento Estratégico, ou seja, não sabemos para onde vamos e o que queremos ser; continuamos gastando mais do que arrecadamos; nosso gasto com a máquina administrativa cresceu a custa de contratações e dispensa de entes políticos e nossa receita está estagnada; em plenário, o presidente do clube admitiu gastos não compatíveis no cartão corporativo e que fez o ressarcimento em março; cedemos o licenciamento dos bares da vila por 1 ano sem contrato, nos mesmos moldes de 2016 com as camisas; não temos organograma e, pelo que se apresenta, dependeremos de novas vendas de atletas para um mínimo equilíbrio financeiro.

Gostaria de falar coisas distintas mas, como amo o Santos, não consigo olhar como Cerveró.

Assim como reprovei a gestão 2016, tive que reprovar, pelos mesmos motivos, a gestão 2018.

(*) Marco Scandiuzzi é conselheiro eleito para o triênio 2018-2020

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