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Construção de novo CT para as categorias de base deve ser prioridade do Santos FC

Ao tomar ciência do Plano Integrado de Gestão do Santos Futebol Clube, divulgado na última quinta-feira (25/04), que tem como objetivo, em síntese, abalizar metas administrativas, financeiras e esportivas para serem cumpridas pelo clube até dezembro de 2023, julgo ser essencial que todo santista analise não só a importância, mas a obrigação do clube, de fato, concluir o projeto abaixo ilustrado: a construção de uma infraestrutura de centro de treinamento para as categorias de base, com previsão de alojamento para 120 (cento e vinte) atletas e, ainda, conduzida por profissionais qualificados das áreas de gestão técnica, médica e humana.

De partida, cabe sopesarmos que, a partir do investimento que o clube faz em suas categorias de base, os atletas recebem as melhores condições possíveis no que se refere a uma satisfatória formação para o ingresso no elenco profissional. Logo, o ganho, a longo prazo, tende a ser esportivo e/ou financeiro. No Santos, exemplos não faltam: Robinho, Diego, Ganso, Neymar, Gabigol, Rodrygo etc.

Pois bem. Superada a lógica basilar que justifica o aporte financeiro nas categorias de base de um clube de futebol, é imperioso que o santista faça uma reflexão desapaixonada sobre o atual cenário do futebol nacional que, pelos motivos que passo a listar, o levará a concluir que o projeto do clube possui estimado valor tanto na esfera esportiva, quanto na esfera financeira.

Em tempos onde as receitas da televisão, os valores pagos por patrocinadores “mecenas” e, também, as rendas oriundas de jogos disputados em moderníssimas arenas distanciam financeiramente o Santos de seus principais rivais estaduais e nacionais, é de fácil diagnóstico o fato de que o clube precisa tomar providências urgentes para que, daqui alguns anos, ele consiga se manter na fileira dos grandes, ou seja que permaneça disputando e vencendo grandes títulos.

Um exemplo do exposto acima está nos valores a título de “cota da televisão” que foram pagos, pela Rede Globo de Televisão, para a compra dos direitos transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, em rede nacional, iniciado nesse sábado (27/04). O Flamengo contará com R$ 327,1 milhões, à frente de Corinthians, com R$ 271,1 milhões, Palmeiras e São Paulo, com R$ 173,6 milhões, e Santos, com R$ 105,5 milhões. A diferença para os nossos rivais, como podemos notar, é colossal.

Não só isso, deixando, neste momento, de lado a abordagem sobre os valores desembolsados pelos patrocinadores dos nossos concorrentes, outro ponto importante de ser examinado é o fato de que vem sendo comum – infelizmente – lermos notícias que dão conta da diferença envolvendo as nossas rendas para as dos nossos principais rivais. Principalmente para aqueles que, após a Copa do Mundo de 2014, jogam em arenas modernas, ao passo que o Santos atua na Vila Belmiro ou no Pacaembu (estádios manifestamente defasados em muitos aspectos), senão vejamos nos dados trazidos pela reportagem feita pela ESPN, em 2018, antes de um embate entre Palmeiras e Santos.

"No Campeonato Paulista de 2018, o Palmeiras é o líder absoluto de público e renda. Até o momento, a equipe alviverde tem média de 29.253 pagantes/jogo, e conquistou uma renda bruta de R$ 12.645.498, com um tíquete médio de R$ 61 no Allianz Parque. O Santos, por outro lado, está apenas em 4⁰ lugar neste ranking, com média de 10.620 pagantes/jogo (praticamente 1/3 do rival) e apenas R$ 2.104.885 em renda bruta, com tíquete médio de R$ 28. Ou seja, o “Peixe” teve seis vezes menos renda bruta do que o “Verdão” no Estadual e ganhou quase tanto dinheiro quanto o Botafogo de Ribeirão Preto, que teve R$ 2.086.470 em renda neste ano."

Portanto, diante de tal cenário que, ao que tudo indica, persistirá imutável nos próximos anos, é de factível conclusão que uma providência segura/possível que deva ser tomada pelo clube, para que este mantenha-se competitivo, é justamente investir na formação de novos atletas, aperfeiçoando sua expertise no setor e, é claro, abusando de sua reconhecida fama mundial (!) de clube formador de “joias”, uma vez que as nossas divisões de base são ano após ano alvos de observação de olheiros dos principais mercados do futebol, que as tratam como um verdadeiro “celeiro de craques”, conforme podemos notar pelos dados trazidos pela reportagem abaixo indicada:

"Analisando o mercado de transferência nos últimos 16 anos, o Santos, com um lucro de € 228,91 milhões, é o clube que mais faturou com negociações no futebol brasileiro. O levantamento é exclusivo do blog Gol de Canela FC com base nos números do site especializado “Transfer Markt”. Durante o período, o Peixe negociou 1022 atletas, sendo 513 vendas e 509 compras."

Vale aclarar que tal situação não é exclusiva do Santos, mas de boa parte dos clubes brasileiros que, ao negociarem os seus jovens atletas, consequentemente atingem um bom e necessário reforço de caixa que dá fôlego às finanças. E, agora, tratando-se nomeadamente do Santos, é cogente ressaltar que, historicamente, o alvinegro praiano fatura muito mais com a venda de jovens atletas do que com patrocínios e bilheterias; não sendo espantoso afirmar que nas previsões orçamentárias anuais do clube constam aguardadas vendas de jogadores:

"O Conselho Deliberativo do Santos aprovou, por ampla maioria, o orçamento para 2019 em reunião na noite desta terça-feira, na Vila Belmiro. O Peixe prevê um lucro de R$ 50 milhões ao fim da temporada. A expectativa é de R$ 35 milhões em venda de jogadores – bem menos do que em anos anteriores."

Além do mais, tal engenho tende a ser cada vez mais corriqueiro, tendo em vista que negociar um atleta da base pode, no futuro, trazer outro benefício ao clube, se incluída a porcentagem pelo mecanismo de solidariedade da Fifa como formador.

Um exemplo disso é o que ocorreu na venda do Eder Militão pelo nosso rival São Paulo. O clube do Morumbi receberá cerca de R$ 5,6 milhões pela da ida do jogador ao Real Madrid -, além de pelo menos outros R$ 21,3 milhões por deter 10% (dez por cento) dos direitos federativos do jogador.

Sendo assim, conhecedor de todas essas informações e, ainda, de todas as características que envolvem o Santos, eu não tenho a ínfima dúvida em defender que, hoje, uma das providências urgentes que deve ser tomada pelo clube é precisamente priorizar um maior investimento nas categorias de base, que passa pela construção de um novo e moderno centro de treinamento.

Nada obstante aos fatores econômicos supracitados, é fato incontestável que o Santos acostumou-se a ser campeão contando com a força advinda de suas revelações, sendo certo que essa trajetória iniciou-se há praticamente 40 (quarenta) anos, mais precisamente no ano de 1978, quando sob o comando do eterno Chico Formiga (1978), após concluída a instalação do primeiro CT do clube, no bairro do Jabaquara, na cidade de Santos/SP, os “Meninos da Vila” levaram o clube ao estimado título paulista daquele ano.

Concluo, destarte, que o projeto apurado neste texto precisa o quanto antes ser colocado em prática pelos atuais gestores do clube, para que o Santos se mantenha não só com grandes jogadores, mas também com as contas em dia.

As nossas categorias de base precisam ser vistas como fonte não só de bons jogadores, mas de receita. Somente com as contas em dia é que conseguiremos nos manter como um dos protagonistas do nosso futebol!

(*) Rodrigo Neves é advogado e sócio do Santos há 10 anos. A opinião deste texto é de responsabilidade exclusiva do autor.

 

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