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Como sócios e torcedores podem melhorar o Santos FC?

Qualquer santista que esteja em meia dúzia de grupos de WhatsApp sabe que cada pessoa tem as próprias soluções para melhorar o Santos FC. O Santos precisa virar empresa? Precisamos encontrar um estrangeiro bilionário para comprar o clube? Diminuir a influência do Conselho Deliberativo? Mandar mais jogos em São Paulo?

O que parece unânime é a sensação de “Precisamos fazer algo”, independentemente do grupo político. Muitos conselheiros pensam que o melhor ainda seria a saída do presidente José Carlos Peres. Outros começam a pensar nas eleições de 2020.

Vivemos em um momento em que parece válido reforçar certas coisas aparentemente óbvias. Então vamos lá: não há mágica que resolva todos os problemas do clube em um dia. Ou seja, não teremos o orçamento do Palmeiras em 2020. Outra obviedade válida: os mesmos processos vão levar aos mesmos resultados. A união de grupos às vésperas do pleito dificilmente nos levará a melhores rumos.

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Na semana passada, participei da 3a Conferência Nacional de Futebol (Conafut). O objetivo do evento era promover o debate entre todos os participantes da indústria para tentar desenvolver o futebol e contou com a presença dos principais executivos de Palmeiras, Bahia, e Grêmio, sendo o clube gaúcho o grande bicho papão dos prêmios sobre gestão. No caso deste texto, porém, buscarei aproveitar o conteúdo da Conafut para avaliar aspectos do Santos FC.

Uma exposição de destaque foi a de Vitor Diorranes, do Cruzeiro. O executivo contou que o clube mineiro tem um departamento de internacionalização há mais de 10 anos. Além disso, o Cruzeiro mantém um hotel para intercambistas estrangeiros dentro do seu CT. Com isso, facilita a troca de experiências com jogadores, técnicos e profissionais de outros países. No Santos, Peres liderou o departamento de internacionalização durante parte da administração Modesto Roma Júnior e, em 2017, foi eleito com a promessa de campanha de fazer pré-temporada fora do Brasil. Até o momento, porém, conseguiu apenas 2 amistosos no México, sendo que o Santos nem mesmo recebeu os US$ 100 mil a que tinha direito. Temos potencial para muito mais.

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Em relação ao uso de tecnologia, Vinicius Grein explicou a qualidade dos dados que o Athletico-PR tem sobre seus torcedores. Para dar um exemplo, o executivo do Furacão citou que 3% dos sócios estão procurando empréstimos bancários. A recente parceria do Santos com a startup israelense KonnecTo, quando o clube cadastrou as redes sociais de dezenas de milhares de torcedores, foi elogiada. Até o final do ano, o alvinegro praiano também deve fazer uma outra pesquisa, agora para entender melhor o comportamento do torcedor para ir (ou não) ao estádio. Será bem-vindo e fundamental.

No Bahia, o clube saltou de 5 mil para 34 mil sócios de 2014 para cá. No mesmo período, a receita mais do que dobrou também, enquanto seu rival Vitória amarga dificuldades na Série B.

Outra fala interessante foi a de Gustavo Nadalin, responsável pelo departamento jurídico no Coritiba desde 2008. “O maior desafio do compliance no futebol brasileiro é de cultura e ético, não financeiro”. Nadalin falou isso se referindo a situações de assédio e discriminação dentro dos clubes. Mas nunca é demais lembrar do insistente aparecimento em clubes nacionais de conflitos de interesse com contratos de empresas em paraísos fiscais ou vinculadas a parentes de executivos e conselheiros.

Dentro desse panorama, como o Santos poderá ter uma gestão eficiente? É fundamental que sócios e torcedores debatam projetos e iniciativas para as mais diversas áreas dentro do clube, como o movimento PRÓSANTOSFC fará em 01/06. Como falou o CEO do Grêmio, Carlos Amodeo, considerado o melhor do ano, profissionalizar um clube não é afastar totalmente os dirigentes políticos, mas equilibrar a paixão deles com a atuação de executivos profissionais. Os sócios e torcedores do Santos FC não podem fugir da sua responsabilidade por um clube melhor.

(*) Conselheiro eleito para o triênio 2018-2020, Vitor Loureiro Sion tem MBA em Indústria do Futebol pela Universidade de Liverpool e é autor de dois livros sobre a história do Santos FC. A opinião deste texto é de responsabilidade exclusiva do autor.

 

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